Nova gasolina: entenda mudanças que começam a valer a partir desta segunda
Objetivo é que a nova gasolina tenha menor consumo que a atual e dificulte tentativas de adulteração do produto
A partir desta segunda-feira (3) a gasolina automotiva
produzida no Brasil precisará ser adequada às especificações da resolução
publicada em janeiro pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis).
O objetivo é que a nova gasolina tenha menor consumo que a
atual e dificulte tentativas de adulteração do produto e que se aproxime do
padrão de combustível comercializado na Europa e nos Estados Unidos. No
entanto, ela deve chegar às bombas com um preço um pouco mais salgado.
Segundo a ANP, as novas especificações vão aprimorar a
qualidade da gasolina brasileira proporcionando assim maior eficiência
energética, além de melhorar a autonomia dos veículos por causa da diminuição
de consumo. As especificações ainda viabilizam a introdução de tecnologias
motores mais eficientes com menores níveis de consumo e emissões atmosféricas.
Até então não havia um padrão estabelecido para a densidade,
ou massa específica, o que é fundamental para que o motor tenha bom
funcionamento – quanto menor a densidade, maior o consumo.
Na Resolução nº 807/2020, a ANP estabeleceu um valor mínimo
de massa específica, de 715,0 kg/m3, o que significa mais energia e menos
consumo. Entretanto, as porcentagens de etanol anidro na gasolina vão
permanecer os mesmos, sendo 27% na comum e aditivada, e 25% na premium.
A exigência da densidade mínima promete dificultar a
adulteração da gasolina atráves de solventes, uma vez que a maioria dos
produtos utilizados para adulterar o combustível tem densidade inferior.
Para o motorista estar seguro de que a exigência está sendo
cumprida, é só mergulhar um densímetro calibrado entre 700 e 750 gramas por
litro na gasolina. Se o valor indicado estiver abaixo de 715, é sinal de que o
combustível foi adulterado. Todos os postos deverão disponibilizar o medidor
para testar a densidade da gasolina, a pedido do consumidor.
A ANP determinou ainda a adoção de um valor mínimo para a
temperatura de destilação em 50% (T50) para a gasolina A, de 77 ºC. Por meio de
nota a agência explicou que “os parâmetros de destilação afetam questões como
desempenho do motor, dirigibilidade e aquecimento do motor”.
O terceiro ponto da nova especificação é a fixação de
limites para a octanagem RON (Research Octane Number) que já está presente em
especificações da gasolina em outros países.
A ANP explicou que “A fixação de tal parâmetro mostra-se
necessária devido às novas tecnologias de motores e resultará em uma gasolina
com maior desempenho para o veículo”. No Brasil, a agência informou que a
octanagem MON (Motor Octane Number) e o índice antidetonante (IAD), média entre
MON e RON era especificada.
“O valor mínimo de octanagem RON, para a gasolina comum,
será 92, a partir de 3 de agosto de 2020, e 93, a partir de 1º de janeiro de
2022. Já para a gasolina premium, será de 97, já a partir de 3 de agosto
próximo”, disse a ANP.
Dessa forma, a mudança vai atender a requisitos atuais de
consumo de combustível dos veículos e de níveis de emissões mais rigorosos ao
consederar o cenário futuro das fases L-7 e L-8 do Programa de Controle de
Emissões Veiculares (Proconve – Ibama) e do Programa Rota 2030 – Mobilidade e
Logística (Governo Federal).
A resolução da ANP determina as obrigações quanto ao
controle da qualidade a serem atendidas pelos agentes econômicos.
Prazo
Segundo informou a agência, o prazo visa permitir o
escoamento de produtos comercializados ainda sem atender as características da
nova gasolina. As distribuidoras terão dois meses para se adequar e as
revendedoras, três meses.
A Petrobras, maior produtora de gasolina no Brasil, informou, no final de junho, que está preparada para o abastecimento do mercado já com as novas regras.






ROMAN RAITER - JUSTIÇA AO OASE